
«Para Podermos entender um Eu de outro, teremos que ser um outro para o Eu.»
Teresa Ferreira
A função da psicologia é tão ancestral como todas as formas de tentar aliviar a dor humana, já que face ao sofrimento psicológico foram surgindo em todas as épocas e todas as sociedades alguém a quem era entendido o poder de curar e aconselhar, quer pelos seus dons da palavra, quer pelas suas competências espirituais. O guru espiritual, o padre ou a “bruxa” eram confidentes de segredos, onde o poder da palavra, quer através de rituais mágicos ou orações, e a confidência levava à catarse que libertava de algumas angústias e fantasmas.
Até ao surgimento da psicoterapia, e desde os tempos remotos, que o alivio da dor psicológica se fazia pelo acesso ao sagrado e à magia. A palavra parecia ter um poder mágico de libertação, levando à mudança emocional.
A psicoterapia vai além do mero uso da palavra, alheando-se a rituais sagrados, tem a sua base e metodologia em técnicas e critérios teóricos específicos que levam à construção de uma aliança terapêutica que visa tornar o mais harmonioso possível o funcionamento psicológico. Assenta numa relação estabelecida entre um técnico com formação especializada – o psicoterapeuta – e o paciente, que consoante a queixa e problema irá se desenrolar num setting específico e num tempo determinado.
O psicoterapeuta deverá surgir com uma função contentora de angústias, geralmente, auxiliando a reparação do mundo interior. Não é uma função fácil, devido à sua morosidade e complexidade devido ao investimento que é necessário de ambas as partes – psicoterapeuta e paciente – porém compete ao terapeuta não desistir, mantendo a sua disponibilidade até ao limite, de forma a auxiliar na libertação das angústias.
A multiplicidade de filosofias e de campos teóricos, conduziu ao aparecimento de um leque variado de psicoterapias (individual, de grupo, de orientação dinâmica, comportamental, cognitiva, de casal, sistémica, de apoio, infantil, grupanálise, psicodrama etc.), sendo todas elas eficazes e possíveis de melhorias, independentemente do modelo a que estejam associadas, pois o que importa é encontrar a terapia mais indicada para o problema em questão ou segundo o tipo de funcionamento psicológico.
Seria erróneo afirmar que uma psicoterapia é mais eficaz do que outra, isto porque cada caso é um caso e, por exemplo, enquanto para alguns pacientes são necessários tratamentos mais longos, outros beneficiarão em prazos mais curtos. Neste sentido é importante salientar a importância de que nem todas as terapias são adequadas a todos os pacientes.
Uma psicoterapia só tem início uma vez estabelecido o contrato terapêutico, o qual é como um contrato de trabalho onde existe um acordo entre paciente e terapeuta das condições mínimas do funcionamento da intervenção. Faz parte do contrato o acordo das modalidades práticas de funcionamento, como a periodicidade das sessões, o tempo de duração de cada uma delas e caso seja possível o tempo previsto para a duração da psicoterapia de apoio.
Ao longo das sessões é essencial que se estabeleça uma aliança terapêutica entre o terapeuta e o paciente, ou seja, uma relação de confiança. No espaço terapêutico deverá existir confiança do paciente sobre o psicólogo, de modo que este consiga falar à vontade sobre o que quiser. Assim, para que exista a aliança, implica que hajam vínculos internos de relação muito fortes e interioridade que permita uma tranquilidade do paciente para se expor sem preconceitos. Desta forma, na relação terapêutica vai-se criando a base para a aliança terapêutica, e é no auge desta que se dão grandes mudanças e metamorfoses, e é quando ocorrem as melhoras. Quanto mais forte é a aliança terapêutica, mais a pessoa muda, pois existe uma confiança e tranquilidade para se expor.